COMENTÁRIO (V)
"Nunca é demais repetir: que segredos tão cabeludos o senador Renan Calheiros detém a respeito dos outros 80 senadores e senadoras, para manter o Senado da República de joelhos?"
Lúcia Hippolito, jornalista, historiadora e blogueira
"Nunca é demais repetir: que segredos tão cabeludos o senador Renan Calheiros detém a respeito dos outros 80 senadores e senadoras, para manter o Senado da República de joelhos?"
Lúcia Hippolito, jornalista, historiadora e blogueira
Cristina Buarque canta "Só pode ser você" também conhecida como "Ilustre Visita" de Noel Rosa e Vadico, durante a peça musical "O Poeta da Vila e Seus Amores", de Plínio Marcos, no Sesc Ipiranga em 10/11/2006, no projeto "Em cena, ações". A direção é de Heron Coelho.
“Oh! Bendito quem semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!”
Castro Alves
O promotor Tales Ferri Schoedl, que confessou ter matado Diego Mendes Modanez, em 2004, vai tirar férias de um mês. Na última quarta-feira (29), órgão especial do Colégio de Procuradores do Ministério Público do Estado decidiu que o promotor permanecerá no cargo. A manutenção do voto foi definida por diferença de apenas um voto --16 contra 15.
Schoedl está afastado das funções desde a ocasião do crime, mas mantém o cargo de promotor substituto e, por isso, recebe mensalmente R$ 10.500 de salário. Ele deverá trabalhar em Jales (585 km da capital paulista), onde a vítima viveu com a família na década de 1990. A transferência de Schoedl para atuar no Ministério Público Estadual no município já é alvo de protesto dos moradores.
"O clima não está bom para ele em Jales. Ele vai se afastar por esse período", informou à Folha o procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Rodrigo Pinho. É grande a possibilidade de ele não mais voltar a atuar na cidade.
Com a vitaliciedade, o promotor não irá a júri popular, como ocorre normalmente, e será julgado pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça.
“Presidente Lula, afinal, o que o senhor sabia e quanto soube?”
Pedro Fontana (pedrofontana@gmail.com)
Agonia
“Intriga a estratégia adotada pelos aliados do senador Renan Calheiros. Tentam mudar a sistemática de votação, de aberta para secreta, tentam tumultuar o processo, apresentando à última hora uma acusação de suborno cujo impacto o mais aguerrido defensor do presidente, senador Almeida Lima, esvaziou ao reconhecer que a história era antiga, tentam adiar o desfecho pedindo vistas do relatório em prol da cassação de Calheiros, tentam de tudo e não conseguem nada.Só prolongar o drama, evidenciar a falta de consistência da defesa e tornar cada dia mais difícil a operação salva-vida no plenário. Diante do exposto no parecer de Marisa Serrano e Renato Casagrande, a Casa precisará ser de circo para executar recôndito desejo de absolver”.
Dora Krammer, jornalista
“A Justiça desta vez funcionou, hein, Dirceu? Quem diria, não? Que seja sempre assim!”
Oswaldo Chiquetto (oswaldochiquetto@superig.com.br)
1 - É uma rematada deturpação dos fatos a tentativa de transformar postos de votação em tribunais populares, como fez o presidente Lula ao comentar a decisão do STF sobre o mensalão.
2 - Depois de anunciar mais R$ 4,7 bilhões para a área social, o governo voltou atrás e informou que nem os R$ 2 bilhões da Saúde estão garantidos. Já o Bolsa-Família incluirá jovens de até 17 anos.
3 - Dois dias depois do julgamento do mensalão, o clima de dever cumprido deu lugar a uma atmosfera pesada, ontem, no STF, em função das declarações atribuídas pela Folha de S. Paulo ao ministro Ricardo Lewandowski, de que "todo mundo votou com a faca no pescoço".
4 - O governo de Lula procura um consenso sobre os efeitos que a crise internacional terá no crescimento da economia brasileira. O ministro Mantega até prevê uma expansão menor, mas afirma que o país manterá resultados positivos. Com a alta da inflação em agosto, cresce a tendência no Copom de frear a redução dos juros. No Planalto, anúncio de motel sobre o PAC virou motivo de piada.
-=- O presidente Lula disse que seu governo não foi atingido pela decisão do STF de processar os envolvidos com o mensalão - entre eles, antigos homens-fortes do PT e do Planalto: "Tentaram me atingir e o povo deu a resposta na eleição do ano passado". Lula elogiou a atuação do STF como parte de uma democracia sólida, mas destacou que ninguém foi inocentado ou culpado. O deputado José Genoino (PT-SP) disse que é inocente e que não havia quadrilha no PT.
-=- A Pesquisa de Orçamento Familiar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que 10% de brasileiros mais ricos gastam 10 vezes mais que os 40% mais pobres. O estudo mostra que o brasileiro trabalha para pagar as contas. Em média, 74,69% da renda mensal é usada para custear a habitação, alimentação e transporte. Só depois vêm as despesas com saúde (6,49%) e educação (4,08%). A desigualdade em Minas Gerais é menor do que a média brasileira. Os ricos gastam 8,9 vezes mais que os pobres.
-=- Deputados da bancada ruralista e do núcleo agrário do PT iniciaram uma ofensiva para viabilizar a terceira renegociação geral das dívidas rurais desde 1995. Em nome de um grupo de trabalho criado para estudar o tema, os parlamentares apresentaram ontem um anteprojeto de lei que prevê a rolagem de pelo menos R$ 70 bilhões em dívidas vencidas e a vencer por até 30 anos. A proposta beneficiaria cerca de 400 mil produtores, assentados da reforma agrária, agricultores familiares e grandes proprietários.
-=- O governo federal vai abrir a torneira para os investimentos até o final do ano, sinalizou ontem o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, ao garantir que a meta de superávit primário do governo será cumprida. Para este ano, a meta é de 3,8% do PIB, excluindo-se o PPI. Até julho, a economia do governo para o pagamento de juros já somava R$ 79,6 bilhões, um recorde para o período. Em 12 meses equivale a 4,37% do PIB, acima, portanto, da meta.
-=- Em solenidade com familiares e mortos de desaparecidos políticos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu criar uma comissão para obter dos atuais militares informações sobre os restos mortais de opositores mortos pela ditadura militar (1964-1985). Lula, porém, pediu que a decisão fosse mantida em reserva, para não atrapalhar as novas negociações sobre informações da repressão política que os ministros Nelson Jobim (Defesa) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) estabelecerão com os comandantes militares
-=- Em um recado claro aos tucanos favoráveis a uma aproximação do PSDB com o Planalto, o ex-governador Geraldo Alckmin defende que o partido priorize a oposição ao governo do presidente Lula. "Entendo que Aécio Neves coloque a questão da civilidade na política e o bom relacionamento entre os partidos em termos administrativos, mas na democracia quem ganha governa e quem perde fiscaliza", disse em entrevista à imprensa paulista.
Corrupção sistêmica
"Em face do julgamento dos envolvidos no mensalão ressalta um dado pouco explorado pelo noticiário. É a participação de bancos na operacionalidade do esquema de corrupção que se apura. Sabendo-se que o Brasil é hoje uma referência como “paraíso” da lavagem de dinheiro de origem duvidosa, urge que nossas autoridades apertem o cerco na fiscalização do sistema bancário. Somente assim poderemos começar a combater com eficácia a corrupção sistêmica no País. Fora isso, é tapar o sol com peneira".
José de Anchieta Nobre de Almeida (josedalmeida@globo.com)
"Conhecida a sentença sobre o julgamento do bando dos 40, conclui-se que o fim justificou os e-mails flagrados pelo repórter Roberto Stuckert Filho".
Cláudio Humberto, jornalista e blogueiro
“A mesma instituição que, em 116 anos de existência, jamais mandou para a cadeia um político ou administrador público acusado de corrupção começou a se redimir numa escala também sem precedentes. Ao acolher, em apenas três dias de debates, quase todas as denúncias do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, contra rigorosamente todos os 40 participantes do mensalão que ele conseguiu identificar, o Supremo Tribunal Federal (STF) desferiu o primeiro golpe que será “sentido” pela corrupção organizada contra a revoltante impunidade que rasgou e ainda mantém abertas as veias do erário nos três níveis da Federação e nas três instâncias do Estado nacional. Por terem o relator da matéria, ministro Joaquim Barbosa, e os seus pares acolhido as acusações do procurador, em geral por ampla margem de votos, na maioria dos casos por unanimidade, tudo indica que, desta vez, o espetáculo não decepcionará a platéia.
Alguns dos 40 réus poderão ser inocentados por falta de provas de haverem praticado esse ou aquele crime do extenso repertório doravante em julgamento - que inclui formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, evasão de divisas, peculato e gestão fraudulenta. Outros poderão escapar do castigo graças às astúcias de advogados contratados a peso de ouro para arrastar o processo até a prescrição dos delitos de seus clientes. Ainda assim é impossível subestimar o alcance da mudança que o STF enfim decidiu esculpir na rocha, sob as vistas da Nação, excedendo até as expectativas mais otimistas sobre a aptidão (ou disposição) do Judiciário para levar aos tribunais os donos do poder que fizeram por merecê-lo. Há muito que a esfera pública não proporcionava aos brasileiros tão robusto motivo para a renovação de esperanças que pareciam definitivamente perdidas. Agora, sim, a sociedade pode repetir, sem ferir a verdade, o bordão do presidente Lula: “Nunca antes na história deste país...” (Editorial do Estadão)
OPINIÃO: O aplauso ao STF é nacional. Acima das classes sociais, de cor, credo ou religião, os brasileiros lavaram o peito com a decisão da alta corte de Justiça e expressam abertamente uma imensa alegria pela construção de um instrumento para eliminar a corrupção. A exaltação patriótica só não foi ampla, geral e irrestrita, por causa da infeliz armação pró Dirceu pela entrevista do ministro Lewandowsky, que só não nos preocupa porque sabemos de que alcançou o ministério por intervenção de Mariza Lula da Silva, amiga de sua mãe em São Bernardo do Campo. A primeira-dama escolheu o juiz como seu marido, o Presidente, escolhe seus auxiliares... MIRANDA SÁ
"Olé! Olé! Olá! O STF tá botando pra quebrá!”
Cláudio Janowitzer (cjano@terra.com.br)
Tendo sido operário...
"Contra a reforma trabalhista, só se insurge o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, fiel à doutrina de Leonel Brizola. Indaga-se até quando resistirá à pressão, por sinal se avolumando. O presidente Lula já declarou mais de uma vez que nunca foi nem é "de esquerda". Mas também não é de direita. Tendo sido um operário, precisaria estar atento às manobras urdidas contra os trabalhadores. Já fez o máximo de concessões possíveis e impossíveis ao neoliberalismo. Tomara que resista".
Carlos Chagas, jornalista
Faca no pescoço...
“Lewandowski é nota dissonante na Suprema Corte. Suas desastradas declarações imputaram a seus pares, no mínimo, a calúnia de terem prevaricado, pressionados pela mídia. Com razão, o ministro Eros Grau já pensa em processá-lo por crime contra a honra”.
Manuel AP. Medeiros (manuelmed@uol.com.brIndigitado ministro
“Se o ministro Lewandowski disse o que disse - “a Suprema Corte votou com a faca no pescoço” -, de duas, uma: ou confirma e se anula o indiciamento dos mensaleiros ou se fecha o STF, por absoluta inutilidade. Da mesma forma, fica o indigitado ministro obrigado a esclarecer o que quis dizer com “a tendência era amaciar para o Zé Dirceu”. Seria, por um acaso, o pay back de sua nomeação? Honestamente, eu até agora não saberia dizer qual das suas frases foi a mais grotesca. Gostaria de saber. Eu e a torcida do Flamengo”.
Alcer Lima de Abreu (alcerabreu@hotmail.com)
Supremas indignidades
"Se ao ministro Lewandowski restar algum traço de dignidade, com certeza renunciará para evitar mais danos à imagem do Supremo. E no mesmo capítulo, que deprimente o fim de carreira do tão pomposo quanto o de Sepúlveda Pertence: apressou a aposentadoria para ajudar no jeitinho que levou por vias tortas o senhor Direito à Corte dos cortesãos”.
Geraldo de F. Forbes (gfforbes@uol.com.br)
Absolvido, mas de quê?
“Para o presidente Lula, os votos que recebeu o absolvem no caso do mensalão. Ora, na época da eleição a maioria de seus eleitores estava convencida de que o mensalão nem sequer teria existido. Só um mero episódio de caixa 2 eleitoral. Validando-se a hipótese de o mensalão ter ocorrido, nunca antes na História deste país houve maior estelionato eleitoral”.
Jorge Alberto Nurkin (j.nurkin@uol.com.br)
Chefe, não
“O ministro do STF Joaquim Barbosa, relator do caso do mensalão, afirmou que José Dirceu era o “chefe incontestável” do esquema. Não era. Como braço direito do Presidente, não iria coordenar operações de suborno de parlamentares sem a anuência do chefe. Lula, aliás, foi o beneficiário direto da corrupção que lhe deu maioria no Congresso”.
Ivo Patarra (ipatarra@hotmail.com)
Estigma
“Apesar de serem considerados culpados, os petistas acreditam que as ações poderão prescrever. Para mim não importa, basta vê-los onde quer que apareçam e direi: olha lá o mensaleiro, o corrupto, o ladrão, o quadrilheiro. Será um estigma para o resto da vida”. Ivany Saba (icavellucci@yahoo.com.br)HaicaiOswald de Andrade, se vivo, possivelmente descreveria o hoje do Brasil com poucas palavras: “Corrupção/ Julgamento em cinco anos/ Esquecimento.”
Caio Pádua Carvalho (cpcmineiro@gmail.com)
Em uma semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricado Lewandowski, se envolveu em dois episódios que provocaram constrangimentos junto a seus colegas na Suprema Corte. O primeiro, quando veio a público o teor dos e-mails que trocou com a colega Carmen Lúcia e o segundo com a publicação de trecho de conversas suas por telefone, publicadas nesta quinta-feira na Folha de São Paulo. Nos dois casos, ele tratava do julgamento pelo STF dos 40 envolvidos no caso do mensalão.
- Estou acabrunhado - afirmou.
Ao blog, Lewandowski fez questão de dizer que quando falou em "faca no pescoço" - numa conversa por telefone com seu irmão Marcelo, ouvida pela repórter da Folha Vera Magalhães - ele se referia a situação que ficou depois da publicação do teor das mensagens eletrônicas que trocou com a ministra Carmen Lúcia. O jornal Folha de São Paulo diz que ele teria dito ao interlocutor que "o STF votou com a faca no pescoço", atribuindo a pressão à mídia.
- A conversa foi um desabafo com meu irmão, meu querido irmão que se solidarizava comigo por conta da divulgação dos e-mails - disse Lewandowski, acrescentando que não houve pressão qualquer e que não mudou o voto, embora tenha discordado várias vezes do relator do processo, Joaquim Barbosa.
Ele disse que tinha dúvidas sobre aspectos do processo e, por isso, recorreu às mensagens eletrônicas para diálogos com assessores de seu gabinete e também com colegas - no caso a ministra Carmen Lúcia - porque "são instrumentos de trabalho". Lewandowski foi o único voto contrário ao enquadramento de José Dirceu no crime de formação de quadrilha. Ele fez questão de dizer que não sofreu qualquer pressão e que não conhece nennhum dos 40 indiciados.
- Posso ter apertado a mão de um ou outro numa solenidade - afirmou.
Fonte: blog da Cristiana Lôbo
O termo "amaciar"
"Estou aturdido com o ministro Lewandowski. Primeiro, o termo “amaciar” é bastante inusual a um ministro do STF. Depois, que conversa é essa de “amaciar a posição” de José Dirceu? Não vê ele, como a Nação inteira, que o rei está nu e que Dirceu sempre foi o subchefe (o chefe mesmo todos sabemos quem é) da quadrilha que se apossou do Planalto e dos cofres públicos? Assim votando, o STF, e especialmente o ministro relator, Joaquim Barbosa, deram imensa lição de civilidade ao Brasil, como há muito tempo não se via. Parabéns ao Supremo, ainda resta uma esperança! Aproveito para lembrar ao presidente Lula que ele não foi reeleito, como alardeia, porque é um dos maiores estadistas “nunca dantes visto”, etc. Foi reeleito porque paga o mensalinho à maioria do povo, que amolece quem recebe e é uma vergonhosa e idêntica compra de votos, que deveria ser objeto de igual denúncia ao STF".
Waldo A. da Silveira Jr. (waldojr@netsite.com.br)
Profecia do barbadinho
“No auge do escândalo do mensalão, o senhor Delúbio proferiu uma frase que soou profética. Algo como, no final de tudo isso, este assunto (mensalão) vai virar piada de salão. Com o indiciamento da quadrilha, podemos concluir que ele tinha razão. Ainda bem que nós é que vamos fazer as piadas e rir dos 40, e não o contrário. Nós merecíamos isso, ao menos para acreditar que ainda há salvação”. (marcelo_camargo@terra.com.br)
Pingos nos iis
“O todo-poderoso José “Diniz” Dirceu está novamente em evidência. Agora réu, por ser “corrupto e quadrilheiro”. E pensar que tudo começou a desmoronar quando, em alto e bom som, ele afirmou: “No devido tempo, vou colocar os pingos nos is.” Não colocou, dançou... Convém salientar, o seu protegido continua “flanando” leve e solto. Que humilhação, hein, Zé?!”
J. Perin Garcia (jperin@uol.com.br)
Perguntar não ofende
“Como perguntar não ofende, queria saber como se sente o chefe da quadrilha, depois deste enquadramento do capitão e dos demais elementos. Será que não tem medo de respingo? Porque vai respingar de um jeito ou de outro. Para quem era enviado o lucro do esquema? Porque o chefe nunca soube de nada, será que o capitão pretendia tomar o lugar do chefe?”
José Inácio de Queiroz (zezinhoqueiroz@yahoo.com.br)
-§- O ministro Ricardo Lewandowski foi obrigado ontem a pedir desculpas aos demais integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) por ter afirmado que, no julgamento da denúncia do mensalão, todos votaram "com a faca no pescoço". A presidente do STF, Ellen Gracie, afirmou em nota que o tribunal "não tolera" pressões externas. Acusado de chefiar o mensalão, o ex-ministro José Dirceu colocou sob suspeita a decisão do STF de julgá-lo.
-§- Relatório pedindo a cassação do mandato do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi apresentada ontem no Conselho de Ética da Casa por dois dos relatores do processo, Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS). Foi uma sessão tumultuada, em que o outro relator, Almeida Lima (PMDB-SE), aliado de Renan e o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), trocaram insultos e quase se agrediram. O principal estopim para a briga foi a discussão sobre a votação do relatório ser secreta ou aberta, o que acabou prevalecendo.
-§- O Partido dos Trabalhadores (PT) inicia hoje seu 3º congresso nacional em meio ao desafio de se livrar da denúncia do mensalão que abateu sete deputados e ex-dirigentes. Segundo o presidente, Ricardo Berzoini, o partido pretende repensar a estratégia para as eleições de 2008 e admite ser possível abrir mão da cabeça de chapa para a sucessão presidencial de 2010. "Não devemos ser arrogantes, temos de dialogar".
-§- Crise na saúde exige cobrança da sociedade - Em seminário realizado ontem em São Paulo, o empresário Nelson Tanure, presidente do conselho da CBM, sugeriu que a sociedade brasileira cobre providências *** Apesar da crise na saúde e das restrições orçamentárias do governo, o Beneficência Portuguesa, maior hospital privado da América Latina, é o segundo do mundo em cardiologia. Perde só para o Cardiac Center, na China. Na instituição em que 60% dos atendimentos são pelo SUS, são feitas 12 mil cirurgias por ano, uma média 32 ao dia.
-§- Após quatro anos de fracassos sucessivos, o programa Primeiro Emprego, uma das principais bandeiras da campanha eleitoral de 2002, será sepultado oficialmente pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva. O programa, que dá vantagens a empresas que ofereçam vagas a jovens de 16 a 24 anos, foi excluído do projeto do PPA (Plano Plurianual) 2008-2011, que irá hoje ao Congresso. Como o PPA orienta os Orçamentos a cada quadriênio, não haverá mais verba para o Primeiro Emprego a partir de 2008.
-§- O presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Milton Zuanazzi, e os outros dois diretores da agência decidiram renunciar aos cargos até o final de setembro em decisão acertada com o governo, segundo a Folha apurou. O próximo a sair será Josef Barat, que deve deixar o cargo até 7 de setembro. Até lá o ministro Nelson Jobim (Defesa) irá indicar os substitutos de Denise Abreu e Jorge Velozo, os primeiros a renunciar.
Choque de trens mata 8 e fere 111
- A colisão de dois trens de passageiros da Supervia, ontem à tarde, na estação de Austin, em Nova Iguaçu, deixou pelo menos oito mortos e 111 feridos. Uma das composições, cheia, aproximava-se a 80 km/h quando a outra vazia, manobrou de marcha à ré, entrando na linha. Não houve freada e, com o choque, o primeiro vagão foi esmagado. O Estado convocou médicos para ajudar no resgate. (Jornal do Brasil)
Ministros do Supremo negam pressão
- Ministros do STF rebateram a afirmação de que analisaram a denúncia do mensalão com a "faca no pescoço" e foram "acuados" pela imprensa, feita por seu colega Ricardo Lewandowski em telefonema testemunhado na terça à noite pela Folha. Para Marco Aurélio Mello, Lewandowski cometeu um "pecadilho lamentável". (Folha de São Paulo)
Lula engorda programas sociais com R$ 4,7 bilhões
- O orçamento do governo para o setor social será ampliado em R$ 4,7 bilhões no ano que vem, passando para o total de R$ 16,5 bilhões. O dinheiro será aplicado na extensão do Bolsa Família para mais 1,75 milhão de jovens, na criação do programa Territórios da Cidadania e no lançamento de quatro "eixos da agenda social". O piso e o teto dos benefícios do Bolsa Família também tiveram o reajuste confirmado. Ao final da reunião, o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que o País está implantando um novo modelo de crescimento, o "social-desenvolvimentista". (O Estado de São Paulo)
STF reage às insinuações do ministro Lewandowski
- Os ministros do STF reagiram à insinuação do ministro Ricardo Lewandowski de que o julgamento do mensalão foi influenciado por pressões da imprensa e que seus colegas votaram "com a faca no pescoço". Em nota, a presidente do STF, Ellen Gracie, reafirmou "a independência e a transparência dos julgamentos". Os ministros negaram ter se sentido pressionado, mas o deputado cassado José Dirceu, um dos 40 réus do caso, aproveitou para pôr a decisão do STF sob suspeição. À noite, Lewandowski tentou se explicar: "Na verdade, o que quis dizer foi que eu é que estava com a faca no pescoço." (O Globo)
Superávit engorda com retenção de royalties
- Cerca de 85% dos recursos correspondentes aos royalties e participações especiais arrecadados com a exploração de petróleo e que seriam destinados aos ministérios do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia e da Marinha e à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) foram desviados de suas finalidades previstas em lei para engrossar o superávit primário. Dados dos ministérios e da ANP mostram que nos últimos anos, da arrecadação de R$ 22,5 bilhões, apenas R$ 3,3 bilhões foram efetivamente aplicados em projetos naqueles órgãos. (Gazeta Mercantil)
A dupla derrota de Renan
- O presidente do Senado apostava na lealdade de Leomar Quintanilha. O fiel escudeiro tinha a missão de impor a votação secreta no Conselho de Ética, sem se incomodar com o esperneio dos senadores contrários à mordaça. A manobra de Renan Calheiros naufragou. Diante das câmeras e TV e da rebelião de parlamentares preocupados com a franca desmoralização da Casa, Quintanilha cedeu e submeteu a decisão ao plenário. Perdeu. Envergonhados, até aliados de Renan optaram pelo voto aberto. O relatório recomendando a cassação de Calheiros só não foi aprovado ontem - ficou para a quarta-feira - porque dois defensores de Renan pediram vista. (Correio Braziliense)
Empresas acusam ferrovias de prática abusiva de preço
- As empresas usuárias do transporte ferroviário de cargas vão formalizar nos próximos dias uma representação no Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC) contra as concessionárias que operam a malha nacional, alegando práticas abusivas de tarifas e coação sobre clientes. Além disso, as ferrovias teriam obtido resultados financeiros expressivos nos últimos anos, sem contrapartida na melhoria dos serviços prestados. A decisão também prevê o encaminhamento da reclamação a pelo menos dois ministérios: Transportes e Casa Civil. (Valor Econômico)
Municípios de Minas terão mais R$ 250 mi
- A aprovação pelo Senado da proposta de emenda constitucional (PEC) que aumenta o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) vai garantir aos 853 municípios mineiros R$ 250 milhões a mais no ano que vem. A verba garantida pela emenda, que eleva de 22,5% para 23,5% o repasse aos municípios de tudo o que a União arrecada com os impostos de Renda (IR) e sobre Produtos Industrializados (IPI), será creditada sempre em parcela única, em 10 dezembro. Neste ano, será repassado o montante referente ao período de setembro a dezembro, totalizando cerca de R$ 60 milhões para o conjunto de prefeituras. Belo Horizonte terá recursos extras de R$ 20 milhões. E a maioria das cidades do estado (456), com até 10.188 habitantes, ganhará um reforço de R$ 358 mil em 2007. (Estado de Minas)
Renan ganha tempo
- Pedido de vista do processo adia decisão do Conselho de Ética sobre cassação para quarta-feira. Apesar do sucesso na manobra, aliados do presidente do Senado não conseguiram impedir que a votação fosse aberta, decisão tomada após muita confusão. (Jornal do Commercio)
TRIBUNA DA IMPRENSA - Renan mentiu, concluem relatores
VALOR ECONÔMICO - Empresas acusam ferrovias de prática abusiva de preço
CORREIO BRAZILIENSE - A dupla derrota de Renan
GAZETA MERCANTIL - Superávit engorda com retenção de royalties
O GLOBO - STF reage às insinuações do ministro Lewandowski
O ESTADO DE SÃO PAULO - Lula engorda programas sociais com R$ 4,7 bilhões
FOLHA DE SÃO PAULO - Ministros do Supremo negam pressão
JORNAL DO BRASIL - Choque de trens mata 8 e fere 111
JORNAL DO COMMERCIO (PE) - Renan ganha tempo
ESTADO DE MINAS - Municípios de Minas terão mais R$ 250 mi
DIÁRIO DE NATAL – Promotora quer Prefeitura pagando hospitais privados
TRIBUNA DO NORTE – Walfredo já tem 52 pacientes rejeitados em hospitais privados
Lula pediu que ministros tenham dados sociais do governo como 'livro de cabeceira'.
'Legado do governo é a política social e a solidez econômica'.
ouça aqui 
Fonte: Portal G1
O deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) disse nesta quinta-feira (30) que acredita na Justiça, mas não deixou fazer críticas à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de abrir uma ação penal contra ele e outras 39 pessoas por suposta participação no esquema do mensalão.
Cunha discursou em um jantar organizado por petistas em seu desagravo. O encontro aconteceu na véspera do congresso do partido em uma churrascaria e pizzaria do bairro da Saúde, Zona Sul de São Paulo.
“Se um juiz fala que estava com a faca no pescoço, vou me defender de quem?”, disse, referindo-se a uma reportagem do jornal “Folha de S. Paulo” publicada nesta quinta.
Segundo o jornal, o ministro do Supremo Ricardo Lewandowski teria dito que a "imprensa acuou o Supremo" e que "todo mundo votou com a faca no pescoço" na análise da denúncia do mensalão. Os ministros e a presidente do STF negaram ter havido pressão no julgamento do caso.
O deputado será processado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. A defesa dele alega que não há provas.
“Eu toparia trocar a minha casa com a maioria das pessoas que se opõem à minha pessoa. Trocaria minha conta bancária, meu sigilo, todo meu patrimônio com qualquer um que é contra mim”, afirmou.
No discurso, de cerca de 25 minutos, Cunha disse que o PT terá candidato à Presidência da República em 2010 e afirmou que o partido deve se unir mais.
“Muita gente do PT não se deu conta do momento que estamos vivendo. Quando me falaram deste jantar, eu fiquei na dúvida, mas concordei pelo coração. De uns dois dias para cá, acho que isso (reunir os integrantes do partido) tem que ser uma regra, senão vão pisar na nossa cabeça”, afirmou.
Cerca de 250 pessoas, entre militantes, delegados e simpatizantes do PT – e nenhuma das lideranças mais esperadas – como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o deputado federal José Genoíno -, compareceram ao jantar.
Marcaram presença os deputados federais Carlos Zarattini, Cândido Vaccarezza, Jilmar Tatto, José Mentor e Devanir Ribeiro e a ex-deputada Ângela Guadagnin, todos do PT paulista.
Segundo Sérgio Ribeiro, membro do diretório estadual do PT e um dos organizadores do evento, foram enviados cerca de 250 convites a pessoas ligadas ao PT e o preço cobrado pelo jantar foi de R$ 9,90 por pessoa, no caso do rodízio de pizza, com direito ao buffet de saladas, pratos quentes e massas.
Ao comentar pela primeira vez sobre a decisão do julgamento, o presidente disse que o STF demonstrou isenção. Para Lula, o resultado do julgamento revela a solidez da democracia brasileira.
Trata-se da demonstração da inteligência voltada para o mal. Quem ouve isso, e não mora no Brasil, fica "convencido" de que o presidente Lula fala de pessoas que mal conhece...
E assim, caminha o processo demagógico e cínico do Brasil.
OUÇA AQUI
A eventual aprovação do relatório por um placar apertado ajudará Renan a se salvar mais facilmente quando seu caso for examinado pelos demais senadores em votação secreta no plenário.
Fonte: Blog do Noblat
Aliados do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) prometem ingressar amanhã com consulta no STF (Supremo Tribunal Federal) para que os ministros se manifestem sobre o sigilo da votação no Conselho de Ética do Senado em casos de perda de mandato. Em meio à polêmica sobre a votação secreta no processo contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) no conselho, o senador Gilvam Borges (PMDB-AP) espera que o STF estabeleça a norma a ser seguida pelos senadores.
"O pedido de informações e consulta é porque o Supremo é o guardião da Constituição. Por isso, pedi para ele se pronunciar. Aí, acabam todas as dúvidas", afirmou.
Na opinião de Borges, o STF vai encerrar a polêmica que divide a oposição e o PMDB no processo contra Renan sobre o voto secreto.
Borges disse que vai manter o seu pedido de vista ao relatório contra Renan com o objetivo de adiar a votação do texto. O objetivo do senador é que, com o atraso da votação, o Supremo possa determinar ao conselho que conduta seguir na votação do relatório.
O impasse sobre o sistema de votação no conselho teve início depois que a consultoria jurídica do Senado enviou parecer no qual recomenda votação secreta no processo contra Renan. O servidor Marcos Santi, ex-secretário adjunto da Mesa Diretora do Senado, pediu exoneração do cargo com a acusação de que Renan teria influenciado os técnicos na elaboração do parecer pelo voto secreto.
Aliado de Renan, o senador Almeida Lima (PMDB-SE) quase chegou às vias de fato esta manhã com o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) na reunião do Conselho de Ética em meio à discussão sobre a sistemática da votação do caso Renan.
Fonte: Folha Online
Cheques de Renan têm furo
Terminou por volta de três horas da madrugada desta quinta-feira (30) a reunião em que Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) fecharam a redação do relatório que recomenda a cassação do mandato de Renan Calheiros (PMDB-AL). Além das suspeitas já conhecidas - inconsistências patrimoniais e negócios agropecuários suspeitos—o documento traz elementos que, na opinião dos relatores, constituem novas evidências que fulminam a versão de Renan de que pagou com recursos próprios a pensão da filha que teve com a jornalista Mônica Veloso.
Técnicos do Senado que auxiliaram na elaboração do pedido de cassação cruzaram os saques que Renan diz ter feito para pagar a pensão com o Imposto de Renda e com recibos apresentados pelo senador. Descobriram que, em várias oportunidades, os cheques bancaram despesas que nada têm a ver com os supostos pagamentos à jornalista. Verificou-se, por exemplo, que um dos saques foi usado no pagamento de terras adquiridas por Renan. Chegou-se à descoberta porque o número do cheque foi mencionado por Renan em seu Imposto de Renda.
Outro saque financiou o aluguel de pasto para o rebanho bovino do senador. Neste caso, a constatação foi possível porque, de novo, o número do cheque encontra-se anotado no recibo da operação de locação. Os novos achados tornam ainda mais inverossímil a versão de Renan. Perícia do Instituto de Criminalística da Polícia Federal já havia detectado uma desconexão entre saques feitos na conta bancária do senador e os pagamentos à jornalista. Não coincidem nem as datas nem os valores.
Josias de Souza, jornalista e blogueiro
Conselho de Ética prossegue trabalhos
Depois de tumulto e bate-boca, o presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), decidiu hoje acatar como único relatório do primeiro processo contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) o texto elaborado pelos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS). Quintanilha decidiu que o texto elaborado pelo terceiro relator, senador Almeida Lima (PMDB-SE), será considerado apenas como voto em separado no Conselho. "Eu entendo que esse é o relatório da comissão. O senador Almeida Lima vai apresentar seu voto em separado", disse Quintanilha.
Os três relatores não conseguiram chegar a um consenso sobre o mérito das denúncias contra Renan. Enquanto Lima defende que o senador seja absolvido, Casagrande e Serrano são favoráveis à perda do mandato do parlamentar por quebra de decoro. Diante da divergência, apresentaram relatórios separados. Na sessão, Lima chegou a bater boca e trocar insultos com o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) depois que a oposição insistiu que o texto do peemedebista fosse transformado apenas em voto em separado --sem caráter de relatório. No tumulto, os dois senadores quase chegaram às vias de fato.
Exaltado, o peemedebista argumentou que não admitiria ser tratado como "sub-relator" do processo. Tasso acusou o senador de estar agindo como 'palhaço', o que provocou a ira de Lima. "Se Vossa Excelência sabe bater [na mesa], eu também sei. A tentativa de castrar a minha palavra para ler o relatório de cinco laudas, eu não vou aceitar", enfatizou. O clima esquentou depois que o tucano disse que Lima agiu como uma "boneca" e o acusou de estar "vendido" em favor de Renan. Os dois senadores tiveram que ser contidos por colegas para não chegarem às vias de fato. A sessão do Conselho de Ética ficou suspensa por 15 minutos, até que os senadores estivessem com os ânimos controlados.
Gabriela Guerreiro, jornalista (Folha Online, Brasília)
"As sucessivas demonstrações de arrogância, bazófia, abuso de poder e outros desmandos por parte do presidente do Senado Federal já seriam suficientes para configurar quebra de decoro parlamentar e justificar um pedido de cassação de seu mandato. A presença da assessora da Mesa no Conselho de Ética, os assessores jurídicos constrangidos a apresentar pareceres favorecendo o presidente da Casa, a mesma assessora da Mesa pilhada por repórteres fazendo uma “maquiagem” no depoimento prestado por Renan Calheiros ao Conselho de Ética. Tudo isto mostrando como o senador usa os funcionários do Senado Federal como se fossem peões de suas fazendas alagoanas – com todo o respeito à valorosa classe dos peões.
O que mais será preciso acontecer para que os senadores se convençam daquilo que toda a sociedade brasileira já sabe há tempos: que o senador Renan Calheiros não tem mais condições morais de presidir o Senado da República?Mas os senadores continuam ajoelhados, paralisados diante dos desmandos do senador Renan Calheiros.Nunca é demais repetir: que segredos tão cabeludos o senador Renan Calheiros detém a respeito dos outros 80 senadores e senadoras, para manter o Senado da República de joelhos?
Lúcia Hippolito, jornalista e cientista política
OPINIÃO: É o que tenho dito e escrito. Conferem? O arqui-criminoso Renan Calheiros é um notório chantagista e possui um riquíssimo acervo de fichas pessoais e dossiês contra numerosas personalidades do mundo político. Já se referiu a viagens de um senador com a secretária, insinuou preferências sexuais condenáveis de outro e sua conversa com Lula da Silva deu uma virada de 180° graus no comportamento da bancada lulista-petista do Senado. Por orientação direta do Palácio do Planalto os petistas – com a honrosa exceção de Eduardo Suplicy – ou se omitem silenciando, ou ensaiam tímidas defesas das táticas de Renan para conduzir o Conselho de Ética. Como se vê, muitos senadores e o Presidente da República estão no bolso do gângster alagoano. Vamos à TV – Senado para acompanhar o caso... MIRANDA SÁ
# "A reunião do Conselho de Ética do Senado que começar a decidir o futuro do presidente da Casa, Renan Calheiros marcada para começar às 10h00, teve seu início agora, às 11h10m, devido ao imbróglio envolvendo aliados e opositores de Renan. Os aliados defendem que os votos sobre o parecer que deve pedir a cassação de Renan sejam secretos. Já os opositores querem que sejam abertos. Renan Calheiros é acusado de ter recebido ajuda de um lobista para pagar despesas pessoais".
# "Os senadores Marisa Serrano (PSDB) e Renato Casagrande (PSB) afirmaram nesta quinta-feira que há fortes indícios para cassar o presidente do Senado, Renan Calheiros. Antes do início da sessão no Conselho de Ética marcada para votar o relatório que pode pedir a cassação de Calheiros, os dois senadores e relatores do processo afirmaram que pelo menos oito itens dão fundamento para o voto que vão apresentar. "Há indícios para cassar, e fortes. Agora, vai depender da consciência dos senadores", afirmou Marisa Serrano".
Maria Clara Cabral, jornalista (de Brasília)
“Fatos e atos identificados como crimes, crimes muito graves, ocorridos dentro do Congresso brasileiro, dentro do governo brasileiro, na capital deste país de que estamos sempre esperando o que jamais vem. Não foi apenas ocasional, nem produto do desatino de um grupo, o vasto número de fatos e atos que o Supremo Tribunal Federal decide submeter a processos criminais.
O que chegou à apreciação do STF é apenas a parcela que foi surpreendida ao acaso, a partir de um vídeo malandro e um entrevistado em fúria, do processo de imoralidade crescente e há muito tempo dominante na administração pública e na política brasileiras. E sobre isso o desempenho exibido pelo Supremo não produz efeito.
O caso Collor/PCFarias levou à idéia de que política, partidos e eleições, Presidência e governo entrariam, forçosamente, em nova fase, de ordem legal e moralidade. Não é preciso relembrar o desmentido factual feito pelas ocorrências entre o impeachment e o estouro do chamado mensalão”.
Jânio de Freitas, jornalista
"Nomear Direito antes de 8 de setembro é querer que o Senado funcione com hora determinada, como aqueles motéis de alta rotatividade".
Marco Antonio Villa, historiador
“A disputa pelo voto aberto deverá anteceder hoje a votação no Conselho de Ética do primeiro processo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros. Diante da tentativa dos aliados do peemedebista, e do próprio presidente do órgão, Leomar Quintanilha (PMDB), de fazer com que a votação seja secreta, dois dos três relatores do processo, os senadores Marisa Serrano (PSDB) e Renato Casagrande (PSB), fecharam acordo de que só revelam o parecer-conjunto deles se a votação for aberta. "Só apresentaremos nosso relatório se a votação for aberta", avisou Casagrande.
O senador capixaba afirmou que se for definida votação secreta ele e Marisa vão precisar de mais tempo para elaborar outro parecer. "Passamos dois meses trabalhando em um relatório para fazer um parecer conclusivo. Se for para apresentar um texto meramente descritivo (como manobram os aliados de Renan), sem que possamos recomendar a cassação ou a absolvição, não tinha o menor sentido em escolher senadores para atuarem como relatores. Os técnicos do Senado poderiam fazer esse trabalho muito melhor do que a gente" acrescentou a senadora Marisa Serrano”.
(Tribuna da Imprensa)
OPINIÃO: Vamos assistir ao espetáculo do Senado Federal se desnudando corajosamente. Com coragem, sim, porque até agora só vimos arremedos da oposição de fala fina, comprometida e envergonhada, com medo das chantagens do arqui-criminoso Renan Calheiros. Já sabemos os que vão se mostrar: um pedófilo enrustido, um viajante renitente por linhas internacionais à custa do Erário e um suplente empenhado em dívidas pela permanência no cargo. Todos no bolso de Renan. Veremos como se comporta os demais, particularmente o petista ético Eduardo Suplicy. A conferir pela TV – Senado, daqui a pouco. MIRANDA SÁ
A hipocrisia senatorial
“Ontem, na Comissão de Constituição e Justiça, a hipocrisia aberta e ostensiva na aprovação do nome de Carlos Alberto Direito para a vaga do Supremo. Não examinam nada, fingem, dizem amem, adianta? Hoje, 24 horas depois Artur Virgilio vai ler o próprio discurso, que pena. Como é que aqueles senadores apressados, que sabiam que precisavam aprovar o nome enviado pelo Planalto-Alvorada, sabiam de notável saber jurídico e reputação ilibada? Pode até ter, mas o Senado não se interessou. E quem referenda esse Senado?”
Hélio Fernandes, jornalista
Está difícil se esconder
“Em conversa telefônica na noite de anteontem, o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, reclamou de suposta interferência da imprensa no resultado do julgamento que decidiu pela abertura de ação penal contra os 40 acusados de envolvimento no mensalão. ‘A imprensa acuou o Supremo’, avaliou Lewandowski para um interlocutor de nome ‘Marcelo’. ‘Todo mundo votou com a faca no pescoço.’
Ainda segundo ele, ‘a tendência era amaciar para o Dirceu’. Lewandowski foi o único a divergir do relator, Joaquim Barbosa, quanto à imputação do crime de formação de quadrilha para [...] José Dirceu, descrito na denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, como o ‘chefe da organização criminosa’”.
Vera Magalhães, jornalista
De mulher para mulher... Marisa!
"Indicado pelo ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, Enrique Ricardo Lewandowski teve o apoio da primeira-dama Marisa Letícia para ser nomeado ministro do STF pelo presidente Lula.A mãe de Lewandowski, Karolina, é amiga de Marisa. Elas se conheceram em São Bernardo do Campo (SP), onde o hoje ministro foi criado e formou-se em direito.Auxiliares de Lula admitem que a amizade ajudou, mas não teria sido decisiva. O aval de Bastos e de juristas de São Paulo é que teria feito o presidente decidir por ele após analisar mais de 11 nomes. Os defensores do hoje ministro elogiaram sua "sólida formação jurídica" e o fato de ser professor titular da Faculdade de Direito da USP. O próprio Lewandowski procurou Bastos para manifestar seu desejo de ocupar a vaga".
Valdo Cruz, jornalista (de Brasília)
"Pergunto aos. senadores, voto secreto ou voto escondido? Voto secreto ou voto covarde? Voto secreto ou voto hipócrita?"
Victor Germano Pereira (victorgermano@uol.com.br)
A bola da vez
"Hoje, quinta-feira, é chegada a hora de a onça beber água: veremos se a pizza Calheiros vai ser servida ou vai continuar assando por mais tempo no forno da imoralidade, da falta de ética e de caráter. Não consigo entender por que Renan Calheiros ainda continua no comando do Senado. Gostaria de saber quem o protege tanto e por que deixar um cidadão como esse sentado na cadeira de presidente do Congresso Nacional. É uma vergonha para nós, brasileiros que trabalhamos e pagamos escorchantes impostos para sustentar gente dessa laia. Será que ele se considera mais importante que o Brasil? A que rei ele presta contas? É para ficar indignado, depois da enxurrada de denúncias, ele ainda continuar firme e forte no comando do Senado Federal, zombando de todos nós, otários, que ficamos de braços cruzados, inertes ante tudo o que acontece. Até quando teremos de engolir essa corja de corruptos que se esconde atrás do manto do poder e do foro privilegiado? Nossa paciência está chegando ao fim".
Turíbio Liberatto (turibioliberatto@hotmail.com)
"Foi preciso que um funcionário do Senado decidisse reatar relações com a própria consciência para suas excelências perceberem o óbvio: que há três meses o presidente da Casa, Renan Calheiros, usa o cargo e a estrutura da instituição escancaradamente em proveito próprio. Como os senadores não são lesos, cegos nem surdos, as reações de surpresa ao pedido de exoneração do secretário-adjunto da Mesa, Marcos Santi, destinam-se única e tão somente a justificar a posteriori a complacência dos senadores para com os usos e abusos em série protagonizados à vista de todos pelo presidente do Senado.
Santi demitiu-se em função da orientação de Renan Calheiros para que a consultoria técnica preparasse parecer em favor da votação secreta dos relatórios do processo de quebra de decoro parlamentar contra o presidente. Postas as cartas na mesa, exposta a ferida, os senadores reagiram indignados. Consideraram “muito grave” a denúncia do funcionário e passaram a desconfiar seriamente da hipótese de a interferência de Renan Calheiros significar por si só ato parlamentar indecoroso. O secretário-adjunto fez a conhecida constatação sobre a nudez do rei e acabou desnudando também os súditos. Três meses, três processos abertos e inúmeras evidências depois, sejamos claros: Renan Calheiros só continua na presidência porque o Senado assim o permitiu".
Dora Krammer, jornalista
OPINIÃO: Como se vê, tem razão o pernambucano Jarbas Vasconcelos; o Senado fede. A catinga de podre se espalha pela Casa já deteriorada pelos senadores sem voto – que primam pelo desembaraço forçado e cínico de alguns deles, como Wellington Salgado, que envergonha a representação mineira de tão ricas tradições. O cadáver putrefato de Renan Calheiros está insepulto porque falta de coragem ou despudorado comprometimento da maioria para enterrá-lo. Com honrosíssimas exceções de personalidades que poderiam assumir a liderança nacional por um novo Brasil, eu diria que se o Senado fechasse não faria falta ao país. MIRANDA SÁ
"Em público, o Planalto faz as contemporizações de praxe. Em privado, porém, reconhece que o resultado do exame da denúncia do mensalão pelo Supremo saiu pior que a encomenda, e não apenas pela homogeneidade no acolhimento da peça do procurador-geral da República. "Os debates foram especialmente ruins para o governo", diz um jurista simpático a Lula. Neles, os ministros avançaram no mérito de uma série de questões, contrariando o discurso das defesas de que apenas receberiam - ou não - a denúncia. Falaram claramente em "compra de apoio" e fizeram referências explícitas à existência do mensalão. No mínimo, será difícil sustentar doravante o bordão oficial de que ele foi invenção "das oposições e da mídia".
Renata Lo Prete, jornalista
OPINIÃO: ...Para uso externo, além do mantra “eu não sabia de nada”, “eu não sabia de nada”, “eu não sabia de nada”, Lula da Silva agora reproduz um novo bordão dizendo que foi julgado pelas urnas em 2002. Ora, desde quando voto absolve criminoso? Além disso, o voto foi em Lula, no Bolsa Família, nos cargos obtidos pelo aparelhamento, contra os restos de lembrança de FhC e no embalo das promessas muitas vezes repetidas embora nunca cumpridas. MIRANDA SÁ
1 - O parecer pelo voto secreto na Comissão de Ética do Senado antecipa o clima tenso no julgamento do caso de Renan Calheiros. Na Câmara, em casos similares, o voto é aberto. O autor do documento denunciara pressões dos aliados do presidente do Senado, mas ontem recuou. Os dois relatores da oposição ameaçam não apresentar o voto na reunião de hoje.
2 - O Conselho de Ética julgará o pedido de cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros em meio a denúncias de que ele usou o cargo para tumultuar o processo. Para Jarbas Vasconcelos, a Casa virou uma "bagunça
3 - Parlamentares de vários partidos ameaçam se rebelar caso o presidente do Senado consiga impor o voto secreto no Conselho de Ética. A manobra é a única chance que Calheiros tem de escapar de um relatório recomendando sua cassação.
4 - Coroado por elogios de senadores da oposição e do governo, Carlos Alberto Direito teve sua indicação ao cargo de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) aprovada ontem pelo Senado. O parecer que defendeu a indicação ressaltou, entre outras coisas, a "notória religiosidade e a inquebrantável fé" de novo ministro.
5 - Ao colher quase todas as denúncias contra os 40 participantes do mensalão, o STF desferiu o primeiro golpe, que será sentido pela corrupção que ainda mantém abertas as veias do erário.
6 - O presidente Lula afirmou ontem que a decisão do STF de abrir processo sobre o mensalão não atinge seu governo. "Tentaram me atingir, e 61% do povo deu a resposta na eleição", disse.
7 - Estudo do IBGE revela a brutal diferença de renda entre ricos e pobres, brancos e negros, homens e mulheres. Piores índices estão em Alagoas: elite gasta até 15,6 vezes mais do que classe menos favorecida.
8 - Um taxista trabalha nove dias para pagar a CPMF, o equivalente a um desembolso de R$ 241,65 ao ano. Um caminhoneiro, idem. Estudo divulgado ontem pelo IBPT mostra que, em média, o brasileiro trabalha sete dias do ano só para pagar o tributo - em 1997 eram três dias. Para profissionais da saúde e liberais, serralheiros, mecânicos e artistas, são seis dias ao ano (R$ 161,10).
9 - Depois de quatro anos e meio no comando da Polícia Federal, o delegado Paulo Lacerda assumirá a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, será o novo diretor da PF. A escolha de Lacerda, cujo trabalho tem sido elogiado por Lula, deverá diminuir o controle militar sobre a Abin e aumentar a cooperação com a PF.
10 - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que as Forças Armadas não reagirão ao livro lançado pelo governo culpando-as por morte e tortura: "Não haverá indivíduo que possa reagir e, se houver, terá resposta".
"O Lula que Lula quer que os brasileiros enxerguem: “Eu talvez seja o presidente mais tranqüilo que já passou pela República brasileira. Acho que nenhum presidente da República teve a tranqüilidade que eu tenho hoje. Estou muito tranqüilo.” Pelo visto, reencarnou em Brasília ninguém menos do que o célebre personagem de Voltaire - o dr. Pangloss, para quem tudo, invariavelmente, ia “pelo melhor dos mundos possíveis”. (Agência Estado)
Pai dos pobres...
“A saúde no Brasil está perto da perfeição.” Lula vê o sistema de saúde nordestino em colapso e nada faz - o ministro não tem verba para aumentar a tabela de salários (classificada por ele mesmo como “aviltante”), pois Mantega nega. Mas há recursos para aumentar em 140% os vencimentos de cargos de confiança e o governo docemente deixa passar mais um trem (longo!) da alegria no Congresso. Haja incompetência, falta de foco, de prioridades. Lula novamente não sabe? A triste ironia é que justamente os nordestinos é que garantiram a sobrevida de um presidente que só sabe que gostaria muito de ficar 37 anos no poder. A qualquer preço.
Renato Vercesi (renato_vercesi@yahoo.com)
Ciro Gomes na fogueira
“A análise do presidente Lula sobre a oportunidade de apresentação de nomes de candidatos não soou exatamente favorável a Ciro Gomes, citado por ele em reuniões com os líderes partidários como possível candidato da base aliada. Diz Lula: 'Quando você cita um nome com antecedência, você queima esse nome. Primeiro internamente, com os possíveis pré-candidatos. Depois, queima na base aliada, com os candidatos dos outros partidos. E, finalmente, os adversários e a imprensa colocam uma flecha direcionada para ele 24 horas por dia. Então, penso que o nome deve ser mantido sob segredo de Estado.'”
Dora Krammer, jornalista
Jantar das almas penadas
“Algo de muito ruim está acontecendo na nação petista. O repórter Fábio Zanini informa que nas bases de um dos denunciados (o deputado João Paulo Cunha) circula a idéia de organizar um ato de desagravo às vítimas da Corte. Será no restaurante Parrilla Brasileña, onde cabem 250 pessoas e cada solidário pagará R$ 9,90. Com os R$ 22,3 milhões que José Dirceu é acusado de ter canalizado para as arcas aliadas, teria sido possível matar a fome de 2,25 milhões de companheiros. Caso apareçam no restaurante as almas penadas de generais da ditadura que cassavam ministros do Supremo e recusavam-se a acatar suas decisões, devem tratá-los como primos”.
Élio Gaspari, jornalista
Mensalão abre guerra política
- A decisão do STF de tornar réus todos os 40 denunciados no escândalo do mensalão foi a senha para a deflagração de uma batalha política na qual se antecipam os palanques das eleições municipais de 2008. Ontem, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador Geraldo Alckmin cobraram a inclusão do presidente Lula entre os culpados pela compra de apoio político no Congresso. A oposição quer fazer a crise respingar, enfim, na imagem presidencial. Lula e o PT respondem dizendo que o julgamento do governo veio na reeleição. (Jornal do Brasil)
Supremo votou com a faca no pescoço, afirma Lewandowski
- Em conversa telefônica, o ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), reclamou de interferência da imprensa na análise do mensalão. 'A imprensa acuou o Supremo', disse a um interlocutor de nome Marcelo em telefonema testemunhado pela Folha anteontem à noite. (Folha de São Paulo)
Procurador já tem novas provas contra mensaleiros
- O procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza, afirmou ontem que tem provas para reforçar as acusações contra os 40 réus no caso do mensalão. Segundo ele, vários laudos, que estavam em fase final de elaboração quando a denúncia foi apresentada, estão prontos para ser incluídos no processo. Entre eles há um que, de acordo com o procurador, atesta a presença de dinheiro público no esquema: os peritos teriam conseguido demonstrar a transferência de recursos do Banco do Brasil para a agência de publicidade DNA. Souza também disse que, se depender dele, o caso não vai virar piada de salão, como chegou a antecipar um dos réus, Delúbio Soares. O procurador garante que em breve denunciará o "mensalão mineiro" - suposto desvio de recursos para financiar campanhas de políticos de Minas, entre eles o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). (O Estado de São Paulo)
Procurador-geral: há novas provas para condenar réus
- No dia seguinte à abertura de processo pelo STF contra os 40 acusados do mensalão, o procurador-geral Antonio Fernando de Souza disse que as provas já colhidas são suficientes para condenar "vários" réus. Em alguns casos, disse, sobram provas. Pelo menos oito novas serão acrescentadas ao processo, já que foram levantadas depois da apresentação da denúncia. As novas provas confirmariam, por exemplo, o emprego de dinheiro público para comprar o apoio de deputados ao governo Lula. Para o jurista Gustavo Binenbojm, a maior parte dos réus deve ser condenada: "Os ministros ratificaram, preliminarmente, as imputações contidas na denúncia". (O Globo)
Álcool reforça expansão dos estaleiros no Brasil
- A maior demanda de álcool pode elevar as encomendas de navios para a segunda fase do Programa de Revitalização e Expansão da Frota da Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras. A diretoria da empresa já trabalha com a perspectiva de contar com mais de 20 embarcações para a nova etapa do programa, que deverá ser lançada no último trimestre deste ano - a estimativa anterior era de 16 petroleiros. Na primeira fase já foram encomendados 23 navios de um total de 42 embarcações programadas. Os créditos aprovados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) somam R$ 4,79 bilhões. Além do álcool, o novo planejamento estratégico da Petrobras prevê a ampliação da produção de petróleo e, por isso, das encomendas de navios. (Gazeta Mercantil)
Do mensalão à degola
- O ex-presidente petista José Genoino (SP) e mais quatro deputados correm o risco de perder o mandato caso o julgamento do mensalão seja concluído em dois anos e meio, como prevê o ministro Marco Aurélio Mello, do STF. João Paulo Cunha (PT-SP), ex-presidente da Câmara, e Paulo Rocha (PT-PA), que teria recebido R$ 920 mil de Valério, também estão na mira. Completam a lista: Valdemar Costa Neto (PR-SP), que confessou o recebimento de R$ 6,5 milhões do PT, e Pedro Henry (PP-MT), um dos supostos distribuidores do mensalão. Para agravar a situação da turma, o procurador-geral da República anunciou que tem novas provas contra os 40 réus do caso. (Correio Braziliense)
Ceará Steel sai, mas sem a participação da Petrobras
- Uma solução de mercado deverá viabilizar a siderúrgica Ceará Steel. A Vale do Rio Doce e seus sócios privados no projeto (a coreana Dongkuk e a italiana Danieli) informaram ao governo que vão tocar a construção da usina sem o gás da Petrobras, e, sim, com carvão mineral, provavelmente importado da África. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá anunciar o novo modelo na próxima semana, durante viagem ao Nordeste. O projeto da Ceará Steel, com investimento de US$ 750 milhões, estava emperrado porque a Petrobras, por razões legais e também de mercado, vinha se recusando a subsidiar o gás necessário para a produção da futura siderúrgica. "Os outros fabricantes de aço iam querer o mesmo privilégio", comentou um assessor do governo. (Valor Econômico)
MP faz nova ofensiva contra os mensaleiros
- Vitorioso na missão de mandar ao banco dos réus os 40 envolvidos no mensalão, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, vai buscar mais provas contra os acusados. Ele havia declarado já ter material para reforçar os indícios de crimes. E avisou que serão requeridas novas perícias, colhidos outros documentos e tornados mais depoimentos. Apesar de o Supremo Tribunal Federal ter acolhido acusações contra todos os mensaleiros, inclusive três ex-ministros de sua gestão, o presidente Lula negou que o julgamento atinja o governo. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci, por sua vez, afirmou que o governo não está em julgamento. E defendeu que o mensalão não seja tratado durante o congresso do PT, a partir de amanhã. (Estado de Minas)
Maré alta deixa o litoral em alerta
- Como ocorreu ontem, o nível do mar atingirá 2,4 metros duas vezes hoje, e pode provocar destruição. A orla de Piedade, em Jaboatão, é a mais ameaçada, mas as autoridades do Recife, Olinda e Paulista também estão de sobreaviso. (Jornal do Commercio - PE)
TRIBUNA DA IMPRENSA - Lacerda deixa a PF e assume Abin
VALOR ECONÔMICO - Ceará Steel sai, mas sem a participação da Petrobras
CORREIO BRAZILIENSE - Do mensalão à degola
GAZETA MERCANTIL - Álcool reforça expansão dos estaleiros no Brasil
O GLOBO - Procurador-geral: há novas provas para condenar réus
O ESTADO DE SÃO PAULO - Procurador já tem novas provas contra mensaleiros
FOLHA DE SÃO PAULO - Supremo votou com a faca no pescoço, afirma Lewandowski
JORNAL DO BRASIL - Mensalão abre guerra política
JORNAL DO COMMERCIO (PE) - Maré alta deixa o litoral em alerta
ESTADO DE MINAS - MP faz nova ofensiva contra os mensaleiros
DIÁRIO DE NATAL – Paralisação da rede privada sobrecarrega ortopedia do Walfredo
TRIBUNA DO NORTE - Redução da tarifa vai custar R$ 800 mil/mês à Caern
Pimenta só arde no próprio
“Agora, deve-se explorar o mote que resultou da abertura dos processos contra os integrantes do chamado mensalão: o de quadrilheiros! Daqui para a frente, ao citar José Dirceu, Genoino, Delúbio, será lícito acrescentar a alcunha de quadrilheiros! Exemplo: o quadrilheiro José Dirceu, o quadrilheiro José Genoino, o quadrilheiro Delúbio, ad perpetuam rei memoriam! Para a perpétua memória das coisas! Aliás, são lições que os petistas aplicaram com maestria ao explorarem com grande êxito bordões como herança maldita e alcunhas de grande efeito como picolé de chuchu! A pimenta só arde no próprio!”
Eugênio José Alati (eugenioalati@uol.com.br)
“Embora a decisão do STF quanto a José Dirceu não seja ainda o seu julgamento, é inegável que as suspeitas sobre sua participação no escândalo do mensalão aumentaram, e muito. Lembrei-me, então, daquela frase que José Dirceu não se cansava de repetir quando ainda ocupava o Ministério: 'Este governo não rouba nem deixa roubar'. Será?"
Sérgio Lopes (blackfeet@uol.com.br)
“Repetindo o que não se cansa de dizer, aparentemente convicto de haver refundado o Brasil, açambarcou para si, com exclusividade, os créditos pelos inegáveis avanços obtidos a partir do Plano Real - na melhora do perfil das contas públicas (embora, não se esqueça, à custa da elevação da carga tributária a níveis asfixiantes para o sistema produtivo), na contenção da inflação em patamares civilizados e no socorro eficaz aos 45 milhões de brasileiros que dependem do Estado para se manter à tona. Perguntado, a certa altura, como poderia afirmar que o seu grande mérito são os resultados da política macroeconômica, se é a mesma que foi montada pelo governo Fernando Henrique, rebateu de bate - pronto, sem corar: “Você é que diz. Se eu continuasse com a política, o País tinha quebrado".
Ora, seria um desrespeito ao Presidente acusá-lo de ignorar que o pesado ajuste fiscal de 2003 - a seu ver, o marco do suposto divórcio do passado - foi, primeiro, mais do mesmo, literalmente; segundo, indispensável para aplacar os temores dos agentes econômicos, desde o empresariado aos mercados financeiros, sobre o que, a julgar por duas décadas de retrospecto, lhes reservaria o PT; terceiro, o desdobramento natural da Carta ao Povo Brasileiro, de junho de 2002, segundo a qual o governo Lula iria “honrar os compromissos assumidos”. Se não se visse no papel de salvador da pátria, nem se desentendesse com a verdade, ele daria uma resposta ligeiramente diferente àquela indagação: “Se eu continuasse com a política do PT, o País tinha quebrado.”
Editorial d’ O Estado de São Paulo
OPINIÃO: Para mim, como Hitler, Mussolini, Khomeini, Idi Amim Dada e WWW Bush, Lula da Silva não passa de mais um esquizofrênico a desfilar na passarela dos mamulengos que desvalorizam as chefias de Estado pelo mundo afora. Desculpem-me os 50 e tantos por cento que apóiam o Presidente da República, apesar do mensalão, das sanguessugas, aloprados, loteamento dos cargos públicos e das estatais, enfim, do enterro sem missa de réquiem do País do Futuro... Este corte no texto do editorialista do Estadão é perfeito, a partir da constatação de que o antigo sindicalista acredita na propaganda que seus parceiros divulgam, desde a “refundação” do Brasil até a apropriação indébita do Plano Real e da política assistencialista do seu antecessor. Se alguém tem dúvida da enfermidade mental de Lula, procure Freud na estante; ele tem explicações convincentes para prová-lo. MIRANDA SÁ
“O desempenho de Joaquim Barbosa, ao vivo e a cores, deu qualidade à maratona da Corte. (Noves fora a troca de mensagens entre a ministra Cármen Lúcia e seu colega Ricardo Lewandowski.)”.
Élio Gaspari, jornalista
Lula amordaça congresso do PT
"Lula mandou um claro recado aos organizadores do 3º Congresso do PT: não quer que a abertura de processo penal contra os petistas José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e Luiz Gushiken se transforme no principal assunto do encontro, de sexta-feira a domingo. "Seria dar um tiro no pé", disse o presidente a ministros. Lula avalia que a disputa interna no PT tem limites e é interesse de todos fortalecer o partido e o governo. Não é só: está convencido de que tucanos e integrantes do DEM vão explorar o julgamento do mensalão, de olho nas eleições municipais do ano que vem - um teste para o pleito presidencial de 2010".
(Tribuna da Imprensa)
Manobra final de Renan Calheiros
"Será aberta a votação final do Renangate no Conselho de Ética do Senado. Uma articulação subterrânea reunindo oposicionistas e governistas insurretos consolidou confortável maioria contra o voto secreto. Dos 15 senadores que integram o colegiado, pelo menos dez já se comprometeram a erguer barricadas contra a última manobra Renan Calheiros, para tentar fugir ao processo de cassação. O presidente do Senado encomendou à assessoria jurídica da Casa um parecer segundo o qual a decisão do Conselho de Ética sobre o processo contra Renan só pode ser tomada por meio de votação secreta. O grupo anti-Renan deliberou que vai fulminar no voto qualquer tentativa de impor o sigilo à apreciação do relatório que recomenda a cassação do mandato do senador por quebra de decoro parlamentar". Josias de Souza, jornalista e blogueiro
Servidor do Senado pede demissão
"O secretário-adjunto da Mesa Diretora do Senado, Marcos Santi, pediu demissão do cargo ontem em protesto contra um "parecer encomendado" que impede que a votação do processo contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) no Conselho de Ética seja aberta: "É uma interpretação encomendada. Estão querendo mudar a regra porque agora convém".Para a oposição, o voto secreto beneficia Renan, já que amplia a possibilidade de "traições" em todas as bancadas.Santi comunicou sua decisão à secretária-geral da Mesa, Cláudia Lyra, nomeada por Renan”. Silvio Navarro, jornalista (de Brasília)
Sobre o terceiro mandato de Lula
“Lula não poderia ser mais claro e explícito sobre a sucessão de 2010. "O PT não deve apresentar candidatura própria". Muitos garantem que com isso Lula se afasta do terceiro mandato, se arriscam numa análise distante. Se Lula tivesse dito "o PT não terá candidato à minha sucessão", poderiam até examinar sua afirmação. Mas as palavras do presidente aumentam a incógnita. Tudo pode acontecer. Lula tem muitas opções, pode aproveitá-las. Em matéria de tempo, está igual a Serra e Aécio. Só que o presidente está no Poder, e mantém os mesmos 50% de antes ou de sempre”. Hélio Fernandes, jornalista
Pela porta dos fundos
"Em Porto Alegre, na Federação das Indústrias (também na sexta, para mais um PAC), temendo protestos, o cerimonial da Presidência montou um roteiro que dificultou a aproximação ao presidente. O temor era de que se repetissem as vaias que aconteceram no Maracanã, na abertura dos Jogos Pan-Americanos. Lula chegou ao aeroporto e foi direto para a sede da FIERGS, entrando pela lateral (sic) do prédio. Havia um forte esquema de segurança, dentro e fora do evento. Só entraram pessoas credenciadas". Triste país e triste presidente que só pode entrar pela porta dos fundos”. Sebastião Nery, jornalista
Nivelando por baixo
"Declarou Lula que a classe média tem como sobreviver, e, por isso, dedica o melhor de seu governo às massas empobrecidas, que não têm. Está certo, outra vez, mas com novo reparo: a classe média tem como sobreviver enquanto classe média, mas, deixada ao léu, vai-se proletarizando e deixando de ser classe média. Não seria melhor cuidar dela enquanto ainda consegue sobreviver (ela, é claro), mesmo pagando impostos cada vez maiores, com seus salários congelados, em meio ao desemprego e ao abandono por parte do poder público? Afinal, nunca será demais repetir, foi a classe média que elegeu e reelegeu o presidente..." Carlos Chagas, jornalista
Na lista dos indicados ao Grammy Latino divulgada nesta quarta-feira (29) numa cerimônia em Miami, os brasileiros Ivete Sangalo, Mutantes, Caetano Veloso e Lenine concorrem, cada um, em duas categorias.
A festa do Grammy Latino, que será realizada em 8 de novembro no Centro de Eventos Mandalay Bay em Las Vegas, tem 49 categorias. Dessas, oito são destinadas especificamente para músicas em português em que participam nomes como Zeca Pagodinho, Skank, Zezé di Camargo e Luciano, Aline Barros e Sérgio Reis.
Entre todos os participantes do Grammy Latino, o cantor dominicano Juan Luis Guerra foi o artista com o maior número de indicações: cinco. Ele foi seguido pela dupla porto-riquenha de reggae Calle 13 e o já consagrado Ricky Martin, em quatro categorias cada um. A lista completa de indicados pode ser conferida aqui.
"Eu digo a Jaques (Wagner) que não pode ficar igual ao presidente, demorando de fazer as mudanças necessárias".
Fátima Mendonça, primeira-dama da Bahia
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou nesta quarta-feira que o julgamento da denúncia contra 40 acusados de envolvimento com o mensalão, entre eles três ex-ministros de seu gestão, atinja o governo. Segundo ele, a insinuação da oposição --de que o caso atinge o Planalto-- teve a resposta nas urnas com a sua reeleição para a presidência da República.
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Fonte: Folha Online
“A Justiça do Brasil nos deu alguma esperança de que nem tudo está perdido. Esperamos que os envolvidos no mensalão sejam realmente punidos, inclusive o Ali Babá. Tomara que sejam condenados, pelo menos politicamente. Ainda bem que temos, juntamente com o Judiciário, o quarto poder, com uma imprensa independente e atuante”.
Gilberto Ruas (gilruas@uol.com.br)
Quem escreve os discursos
“Quando Francisco Weffort e, depois, José Dirceu tinham o controle do PT (e com isso não comparo um com o outro), a linha social-democrata do partido apresentava um bom discurso. Alguém mais à direita ou à esquerda podia não concordar, mas não diria que o discurso era ruim. Lula, atualmente, está praticamente sozinho. Perdeu seu partido, e o partido se perdeu. Quem escreve seus discursos ou sugere suas falas não acerta de modo algum. E quando o presidente fala de improviso, a linha populista fica acentuada, e já não tem o tom atrativo que conseguiu no passado. O populismo, talvez graças ao próprio PT, não é mais fonte retórica de sustentação política”.
Paulo Ghiraldelli Jr., articulista do Estadão
Aplauso e frustração
"Ao transformar em réus os 40 denunciados de participação no maior escândalo político do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Supremo Tribunal Federal fez mais do que recusar o papel de abrigo confortável da impunidade. Devolveu à sociedade, à qual não deu as costas, o direito de acreditar que, também no Brasil, as instituições que garantem a democracia funcionam. Resgatou a fé de que a Justiça está de pé e vigilante para que o direito prevaleça sobre os arranjos, por mais poderosos que sejam seus autores. Por isso mesmo, a Suprema Corte não pode correr o risco de ser envolvida por recursos protelatórios. Trata-se de vício amplamente admitido pela legislação brasileira e expediente capaz de arrastar os processos até a prescrição. É a forma menos corajosa de transformar o aplauso de hoje na frustração de amanhã".
Editorial do Correio Braziliense
“Quando Dirceu declarou que não fazia nada sem autorização do Lula, este não contestou. Clara evidência de que ele era também da quadrilha. Agora o povo pergunta: o Lula não deveria também ser julgado como quadrilheiro, ou ele alega não conhecer o José Dirceu?”
Nelson Meirelles (nelsonmeirelles@terra.com.br)
“Parodiando o Galvão Bueno nas transmissões de Fórmula 1, virar réu é uma coisa, quero ver é condenar”.
Ronaldo José Neves de Carvalho (rone@roneadm.com.br)
“Parodiando o Galvão Bueno nas transmissões de Fórmula 1, virar réu é uma coisa, quero ver é condenar”.
Ronaldo José Neves de Carvalho (rone@roneadm.com.br)
"Quem recebe produtos furtados ou roubados é receptador e, conseqüentemente, é criminoso também. O núcleo administrativo do PT formou a quadrilha para desviar dinheiro e comprar deputados, visando a aprovações de interesse do governo no Congresso Nacional e, também, a sua permanência por tempo indeterminado, como comprova o julgamento dos mensaleiros no STF. Nesse caso, o receptador, ou melhor, o beneficiário é isento de responsabilidade?"
Vicente Muniz Barreto (dabmunizbarreto@hotmail.com)
-=- Ex-ministro Delfim Netto lançou ontem dúvidas sobre a veracidade do documento oficial que descreve atos de tortura durante a ditadura militar (1964-1985). Ministro da Fazenda nos governos Costa e Silva e Médici, Delfim disse - à véspera da divulgação do livro - que "há sérias dúvidas se tudo é verdade". Participante da reunião do Conselho de Segurança Nacional que levou à promulgação do AI 5, Delfim afirmou desconhecer o que ocorria nos "porões". "Não havia ligação entre a área econômica e os ministros militares. Nunca houve", alegou ele, criticando uma indústria de indenizações no país.
-=- O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, decidiu confirmar presença na abertura do 3º Congresso Nacional do PT, na próxima sexta-feira, apesar da abertura de processo contra a antiga cúpula dirigente do partido. A decisão causou incômodo, sobretudo pela acusação de formação de quadrilha contra seus ex-ministros, mas a avaliação do Planalto é de que a decisão do STF terá mais reflexos no PT do que no governo.
-=- Sob as bênçãos do ministro da Defesa, Nelson Jobim, o presidente Lula confirmou ontem a indicação do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Carlos Alberto Direito, para ocupar a vaga de Sepúlveda Pertence como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele será sabatinado hoje pelo Senado.
-=- Após a publicação do acórdão com a aceitação das denúncias, o STF intimará os 40 acusados, que começarão a ser interrogados. Cada um deles pode chamar oito testemunhas, o que significará ouvir 360 pessoas. Carlos Velloso, ex-presidente do STF, alerta que essa corte foi criada para resolver questões constitucionais, não para funcionar como primeira instância. Assim, Velloso calcula que o processo se arrastará por pelo menos 5 anos, período em que alguns crimes prescreverão.
-=- Em depoimento sob o acordo de delação premiada, o operador de mercado financeiro Lúcio Bolonha Funaro fez uma série de denúncias contra a cúpula do PT e PR no caso do mensalão, segundo documentos obtidos pela Folha que compõem a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal. Funaro disse que ele e dois doleiros emprestaram R$ 3 milhões ao então presidente do PL Valdemar Costa Neto para cobrir despesas da campanha do partido em apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao Ministério Público, afirmou que um empresário pediu que fosse feito o empréstimo a Valdemar "com o intuito de pagar fornecedores da campanha a presidente do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, da coligação PL-PT", disse ele.
-=- A Polícia Federal desbaratou uma quadrilha de estelionatários que se especializou em dar golpes nas loterias da Caixa Econômica Federal. O grupo comprou uma lotérica na Tijuca, que funcionou normalmente por quatro dias apenas. A partir daí, segundo os policiais, foram feitas apostas de R$ 7.500 em jogos usando o dinheiro arrecadado dos clientes em dois concursos e não repassado. O golpe rendeu R$ 5 milhões ao banco. Seis dos sete integrantes foram presos.
-=- A consultoria jurídica do Congresso recomendou ao presidente do Conselho de Ética do Senado que o julgamento do parecer sobre o presidente da Casa, Renan Calheiros, seja por voto secreto. O autor do parecer teria pedido demissão por força de pressões do grupo pró-Renan.
-=- No Dia Nacional de Combate ao Fumo, a melhor notícia é para os que convivem com tabagistas. O Ministério da Saúde defende a proibição da instalação de fumódromos em ambientes coletivos.
"Desde o início do processo ficou claro que Renan prima pela discrição em seus negócios".
Jarbas Vasconcelos, senador
Voto aberto no Conselho de Ética
"Às vésperas da votação da primeira representação contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no Conselho de Ética, dois dos três relatores do processo disseram que vão trabalhar para que o voto no colegiado seja aberto. Os aliados de Renan iniciaram na semana passada manobras para tentar impor o voto fechado. A avaliação é de que isso reduziria a exposição dos senadores diante da opinião pública e facilitaria a absolvição. O presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB), aliado de Renan, é um dos defensores da idéia. “Se no plenário do senado, que é soberano, o voto é fechado, não há razão para ser diferente no conselho”, argumentou. Os relatores do caso Renato Casagrande (PSB) e Marisa Serrano (PSDB) afirmaram ontem que não concordam com o argumento de Quintanilha. “Os relatores são senadores. Se nós temos de revelar o nosso voto por que os outros integrantes do conselho não têm?”, questionou Marisa. “O voto tem de ser aberto no conselho".
Ana Paula Scinocca, jornalista (de Brasília)
Elogio da ignorância
"Lula se repete de gafes em gafes, de erros em erros, e vai cada dia mais se distanciando dos setores escolarizados, herdando o curral eleitoral do Norte e do Nordeste, que foi do antigo PFL. Para manter os intelectuais ao seu lado, precisa colocá-los em cargos de confiança. Mas não há tanto espaço assim no Conselho Nacional de Educação e similares.O último exemplo de má retórica do presidente foi para a TV dia 16 deste mês.
Lula fez duas comparações sem pés nem cabeça: Disse que os que o vaiavam eram muito jovens, como se isso fosse um defeito (era uma virtude, para o PT, ter jovens, lembram?), e que não tinham “consciência política”, dado que apareciam ali fantasiados de palhaço, quando “palhaço é uma figura alegre, suave” (e não figura de protesto); disse que os que criticam a bolsa minguada para os pobres não criticam a bolsa (que seria gorda) para um pesquisador ir para os Estados Unidos".
Paulo Ghiraldelli Jr., professor e articulista do Estadão